domingo, 3 de maio de 2009

"Animal Behavior"

Para quem nunca deu uma olhadinha no "Animal Behavior" do consagrado John Alcock, não sabe o que esta perdendo. Bom, pra dar um gostinho, aqui vai alguns dos exemplos que se pode ler em sua obra magnífica.

Ele, primeiramente, descreve o comportamento sob uma perspectiva evolutiva, assumindo um carater darwiniano à sua obra. Divide os assuntos a serem desvendados em temas conhecidos ou curiosos, garantindo a organização (sistematização se preferirem) e prendendo a atenção do leitor com seus particulares comentários.

Inúmeros estudos de caso são ilustrados pelo livro, esclarecendo ainda mais as nossas dúvidas sobre comunicação animal, cuidado parental, comportamento reprodutivo, e até mesmo a evolução e desenvolvimento do comportamento humano.


Um dos estudos citados pelo livro, é a fantástica teoria dos jogos, em que as consequências do comportamento de um indivíduo é dependente da escolha comportamental de outro. Como no caso de alguns pinguins. Algumas espécies dessas aves não voadoras, no momento em que irão pular na água para forragear, esperam até que algum indivíduo da população pule antecipadamente, aumentando a probabilidade de sobrevivência daquele que escolheu não ser o primeiro a pular. Isso porque, ao pularem na água precipitadamente, há grandes chances de haver algum predador a espreita, e os primeiros e últimos, provavelmente, serão as vítimas capturadas por focas ou orcas.






Outros grandes exemplos encontrados na obra, são aqueles intitulados quebra-cabeças darwinianos. As borboletas monarcas são amplamente estudadas sobre essa perspectiva. Essas coloridas lepdópteras são migrantes de grau máximo quanto à resistência e habilidade. Mas não é este fato que as fazem especiais. Seria o de que estes insetos possuem um padrão de coloração das asas que indica impalatabilidade, ou seja, aqueles predadores que as comem sentirão um sabor enausiante, e, possivelmente, passarão a não comer presas com estes padrões. Porém, como Darwin descreveu, a seleção natural atua no nível de indivíduo, e não de população ou qualquer outro (como espécie ou gênero). Portanto, ao comer aquela borboleta, o predador a matará ou lhe arrancará as asas, diminuindo drasticamente o valor adaptativo da presa. Mas, então, por que esta característica permaneceu entre as monarcas? E é ai que se destaca o termo quebra-cabeça darwiniano. Isso, pois, a coloração críptica não aumenta o valor adaptativo do indivíduo, mas sim da espécie como um todo.




Alcock destacou muito bem o caso das abelhas, com suas danças que indicam direção e distância entre a colmeia e o recurso alimentar, suas divisões em castas, e a evolução de seus comportamentos em teorias extremamente interessantes. Também não hesitou esforços para garantir um bom entendimento das possíveis causas do comportamento de infanticídio entre macacos, leões e ratos.


Portanto, sem dúvida alguma, este livro concentra o que há de melhor em trabalhos e pesquisas científicas relacionados ao comportamento animal, colocando-os juntamente a uma linguagem agradável e de fácil compreensão. Apenas alguns problemas são salientes quanto à aquisição e leitura da obra. O "Animal Behavior", como já visto no título, é um livro escrito em inglês e ainda não foi traduzido à nossa língua, e por esse motivo seu preço nas livrarias ainda é alto e requer importação (o que encaresse ainda mais). Mas são encontrados nas melhores bibliotecas universitárias.


Bibliografia citada:
Animal Behavior, John Alcock.


Vídeos recomendados em "Comportamento na net":

"Evel Mother pinguin" e "Infanticídio em leões"

Fernando

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